Esse vai ser o primeiro post sobre umas das coisas que mais amo na vida: Conhecer lugares novos!! No começo de Dezembro do ano passado, fiz uma viagem com alguns amigos muito, mas muito legal!! Fomos fazer uma caminhada sobre os trilhos da Ferrovia do Trigo entre as cidades de Guaporé e Muçum no Rio Grande do Sul. Vou detalhar exatamente como foi o planejamento, por onde passamos e tentar passar um pouco das coisas que vivemos nos dois dias dessa aventura!!
Há algum tempo planejávamos com alguns amigos aqui de Porto Alegre fazer essa trilha, bastante conhecida por aqui. E quando dois amigos meus vieram do Mato Grosso do Sul para uma visita decidimos incluí-los e encarar de vez a aventura!
A ferrovia do trigo, tbm conhecida por EF-491 foi construída na década de 70, durante o regime militar do país e até hj funciona como rota de escoamento da produção de grãos do estado (sim, passam trens por lá!), em todo o trecho da ferrovia existem 26 ponte e viadutos e 34 túneis, destes 21 estão entre Guaporé e Muçum.
Saímos de Porto Alegre, pouco depois das 5 da manhã sentido Muçum, onde planejamos deixar os carros, estávamos em 7 pessoas, portanto fomos em dois carros, gastamos aproximadamente duas hrs pra chegar até a rodoviária de Muçum (R. Barão do Rio Branco, 452 - Tel: (51)3755-1170). de Porto Alegre seguimos pela BR-386 (duplicada) até a cidade de Lajeado de onde pegamos a RS-130 (pista simples) até a cidade de Muçum, o trajeto total somou 168km e não há pedágios no percurso. Em Muçum pegamos um ônibus até a cidade de Guaporé, onde planejamos iniciar a trilha (isso pq li em vários blogs que de Guaporé a Muçum está um declive e pelo lado contrário cansaríamos muito mais). O ônibus pra Guaporé sai da cidade de Muçum às 7:50 e custou pouco menos de R$10,00. Deixamos o carro na rua da rodoviária em Muçum, segundo os moradores a cidade é muito tranquila e não há grande perigo ao deixar os carros pousarem na rua.
Pedimos então ao motorista do ônibus que nos deixasse onde as pessoas costumam descer pra fazer a trilha da ferrovia, o que ele prontamente entendeu, nos orientado assim na hr que chegamos ao nosso ponto. Este percurso de ônibus leva aproximadamente 40 minutos, e fomos deixados chegando à cidade de Guaporé. De lá apenas atravessamos a rodovia, já podendo ver um dos pequenos viadutos da ferrovia, subimos por uma rua lateral de terra até os trilhos, pulamos uma cerca e Vóile, estávamos em cima dos trilhos como podem ver na segunda foto aqui embaixo.
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| Esperando o ônibus em Muçum com nossas Mochilas!! |
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| Animados no início da Trilha |
Do ponto que entramos na ferrovia é só seguir sentido à esquerda que caminhando bastante vc consegue chegar em Muçum.
Nos nossos planos, pretendíamos realizar os pouco mais de 50km de caminhada em dois dias, parando pra acampar na metade do caminho, mais ou menos...
Começamos a caminhada super animados, e juro, após uns 5km já estávamos cansados e não havia passado muitas coisas legais pra ver, começamos a desanimar e a cada hr ficávamos mais cansados.
Passamos por algumas cachoeirinhas que são bastante comuns ao longo do percurso e alguns túneis. Se não me falha a memória, o primeiro túnel tinha aproximadamente 700 metros (em alguns há essa marcação no início do túnel), é muito estranho andar nos túneis, é um breu completo, vc não consegue enxergar nem seu nariz naquela escuridão, além do clima pesado e do ar carregado, dá até um medinho, mas depois vc vai acostumando pq são muitos túneis!! É muito importante levar uma lanterna de cabeça e pilhas extras! pq sem isso é impossível passar pelos túneis. Além disso tem a adrenalina do medo de vc estar no túnel e começar a passar um trem, pq eles chegam bem rápido depois que vc consegue ouvi-los e os recuos nos tuneis não são padrões, em alguns túneis existem recuos, em outros apenas algumas partes onde entalharam mais profundamente a rocha.
Nesse inicio de caminhada tentávamos parar pra tomar um fôlego de mais ou menos uma em uma hr, mas é importante salientar que antes de sentar sobre os trilhos ou nas margens da ferrovia, é muito importante checar o chão do entorno, pois encontramos muitas aranhas enormes pelo caminho, vai que vc vai sentar e fica perto de uma dessas né??
Andar nos trilhos não é uma tarefa fácil, principalmente pra quem não está acostumado a longas caminhadas ou pra quem (como eu) não pratica exercícios, somando isso ao sol e calor que estava fazendo e as mochilas pesadas, às 11 da manhã, apenas 3 hrs após ter iniciado a caminhada já fizemos uma grande parada pra podermos almoçar. Levamos algumas coisas prontas pra não perder tempo no preparo dos alimentos logo no almoço, planejando fazer a comida mesmo apenas na janta quando montássemos acampamento.
Como vcs podem ver nas fotinhas acima, paramos em cima dos trilhos e tiramos todas nossas coisas das costas, bem ali.... Bem, não façam isso! Em uma das vezes que fizemos isso veio um trem da manutenção e tivemos que tirar tudo de cima dos trilhos e sair correndo pras margens voando, pq o trenzinho da manutenção anda muito rápido!!
Depois do almoço começamos a andar novamente, passando então por lugares mais interessantes e paisagens maravilhosas!! Em alguns lugares nas pequenas quedas d´águas pelo caminho nos refrescávamos e tentávamos aliviar o cansaço que ia batendo a cada hr mais forte!

Até que chegamos no nosso primeiro Viaduto! Era bem pequeno, mas nossa, o cansaço vai embora, vem um ânimo não sei de onde, muito legal!! Muito Lindo e muito incrível pensar que construíram isso na década de 70, um tempo sem muitas das tecnologias usadas hj na construção, e no meio de uma região densamente florestada!! É mágico!! Esse primeiro viaduto era inteiro de concreto, nada de chão vazado! Bem seguro! Até os escapes eram de concreto, bem firmes! Não dava medo nem nada. Pena que era curtinho!
Começamos a ficar ansiosos pela chegada do Mula Preta, o maior dos Viadutos vazados. Havíamos lido sobre ele, visto fotos, mas queríamos ver pessoalmente. Mais caminhada, mais túneis, muito sol, e nada do Mula Preta. Passou mais um trem da manutenção, que parou e nos avisou que dentro de duas hrs passaria um trem de carga, pra tomarmos cuidado. Pensamos se conseguiríamos atravessar o mula preta antes da passagem do trem. Andamos mais um tempo e nada, até que, depois de uma curva, lá estava o viaduto, com seus 98 metros de altura e inteiro vazado. Lindo! Pisei nele, minha perna travou. Nem sabia mas aparentemente tenho muito medo de altura, e aquele espaço enorme entre os dormentes não ajudou muita coisa. Meus amigos foram tranquilos, meu marido nem acreditou que eu estava com tanto medo assim... Eu via aquela paisagem estonteante e tentava ir, mas minhas pernas não estavam de acordo com meu cérebro naquele momento, minhas mão suavam frio. Mas fui indo devagar e sempre. Os recuos no Mula preta são de metal com uma tábua de madeira embaixo, e ficam a uns 20 metros de distância um do outro. Teoricamente existem recuos dos dois lados do trilho, mas de um lado não tem a madeira pra pisarmos, então nada feito. O bom é andar meio separado quando em grupo, pq se vier um trem cada dupla corre pra um recuo diferente. Mas ainda bem que não passou nenhum trem enquanto estávamos lá, pq eu sinceramente não iria conseguir correr até um recuo, parar e descer até ele (eles ficam um pouco abaixo dos trilhos). Depois que passa, ele é lindo! De tirar o fôlego, a paisagem maravilhosa e aquele viaduto imponente sobressaindo ali, acima da mata. Indescritível!!
Depois do Mula Preta vieram mais alguns túneis pequenos, uma cachoeira linda, e nada do trem de carga. Quando estávamos no fim de um túnel, uns amigos que já haviam saído do túnel começaram a gritar, corre que lá vem o trem, achamos que estavam brincando, mas não é que lá vinha o trem mesmo?? E na reta final daquele túnel nada de escapes, corremos loucamente, até sair do túnel e então o trem passou, nem tinha cansado durante a corrida! hahah e isso já era mais de 4 da tarde!!
Ainda não havíamos passado o maior túnel, com mais de 2km, mas sabíamos que teríamos que passar por ele antes do camping, andamos mais um pouco e a cada túnel achávamos que seria ele, até que chegou. Mais de 2km em total escuridão. Nessa hr torcemos muito pra que não viesse nenhum trem, pois o ar deve ficar difícil de respirar com um trem dentro dos túneis. Parecia que nunca teria fim. Mas quase chegando o fim do Túnel ouvimos o trem, e corre pros escapes pro trem passar, pelo barulho parecia um trem enorme de carga, mas quando passou lá era mais um trem da manutenção. Dentro do Túnel o barulho parece muito maior.
Já estávamos morto de cansaço e dor nas pernas, andando sobre a superfície irregular dos trilhos, passavam das 17 e nada do camping, que segundo o dono fica à 21km de Guaporé. Nossas pausas pra descanso já eram maiores que o tempo que passávamos caminhando. Até que por fim chegamos ao camping que fica aos pés de mais um viaduto vazado.
O camping chama Recanto da Ferrovia, e tem página no face. Chegamos lá, não havia ngm, não tinha água, ficamos desesperados. O dono chegou por volta das 19hrs, ainda estava claro, mas estávamos mortos de cansaço. Como ele não sabia que íamos, não havia preparado o camping adequadamente, além disso estava com um problema e não haveria água nos banheiros até de manhã. Mas pelo menos conseguimos fazer a comida, lavar os rostos e pés, montar acampamento e descansar. O camping cobra uma pernoite de R$20,00. No dia seguinte acordamos meio tarde e algumas pessoas não queriam continuar, pois ainda faltavam 28km até Muçum. Decidimos parar por ali e tentar retomar a aventura em uma próxima vez. Foi bastante frustante não conseguir chegar até Muçum pela ferrovia e principalmente não ter visto o Viaduto 13. Mas foi uma grande aventura que vive e levarei comigo pra sempre!!
De Manhã ainda passamos no viaduto que fica em cima do camping, tiramos fotos, e depois caminhamos mais 8km até a cidade de Dois Lageados para poder pegar um ônibus até Muçum, pegar nossos carros e voltar pra Porto Alegre. Não pensem que foi fácil, até pra desistir essa trilha é cansativa! 8km em ladeiras de chão até a cidade mais próxima pra poder ir pra casa!! O ônibus de Dois Lageados à Muçum custou pouco mais de 6 reais.
Minha dica pra quem for fazer esta trilha, faça em 3 dias, pois é extremamente cansativa, leve bastante água, mas não para todos os dias, pois vc pode se reabastecer nos camping, leve o mínimo de peso que conseguir nas mochilas!! Isso foi o que mais dificultou nossa caminhada e o que mais pesou na hr que decidimos desistir, algumas pessoas estavam com os ombros inchados no local onde a alça da mochila pega. Leve repelente, tem muitos insetos e pernilongos por todo o caminho, uma amiga levou picadas de pium (um mosquitinho preto, diferente de pernilongo) e se descobriu alérgica, de manhã as pernas dela estava doloridas e levemente inchadas.
A trilha é maravilhosa e vale super a pena, em breve planejo tentar terminá-la!! Vale super a pena! As paisagens são maravilhosas e mesmo com todo o cansaço e tudo mais, eu faria de novo!
| Fim Beijos Marina Fujii
PS: A maioria das fotos são do meu marido, Gabriel Nakamura, mas algumas fotos são das minhas amigas Dirleane Ottonelli e Viviane Filgueiras, além de algumas fotos minhas.
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